Depois de Lula, o Delúbio.
Depois do Delúbio, a Globalização da TV brasileira.
Como a Globo já é o tapete voador do (leia-se qualquer) governo, a Record acaba de candidatar-se ao disputado cargo de capacho.
Em bom crioulo brasílico, é isso que quer dizer a expressão "clone do Jornal Nacional".
Saturday, December 31, 2005
NON DVCOR
O Brasil é governado por um subproduto da indústria de São Paulo.
(Não mandei o Irmão Marx, o mais velho, inventar a análise econômica da História.)
(Não mandei o Irmão Marx, o mais velho, inventar a análise econômica da História.)
Sunday, November 06, 2005
O NOVO DIÁLOGO BRASIL-ESTADOS UNIDOS
Com Lula e George W. Bush, as relações entre o Brasil e os Estados Unidos navegam patamares nunca dantes alcançados.
O entendimento começa pela entropia lingüística chomskiana – o que antigamente se chamava ignorância, ou, mais cientificamente (pela antecipação do genoma), burrice.
(A qualidade mais admirável de Chomsky é a honestidade intelectual – ele jamais usaria a gramática preconizada por ele mesmo.)
Os idiomas que já foram de Camões e Shakespeare são perfeitamente estrangeiros para ambos – ambos os dois, para usar de uma precisão mais condizente com a ocasião social.
Afinal de contas, Camões era português, e Shakespeare, inglês.
A compreensão surgiu quando Lula explicou: “É preferível falar português que falar um mau inglês”, e Bush respondeu: “Eu também acho, mas o povo estranharia”. Perceberam que os intérpretes estavam traduzindo os sentimentos de um do outro.
Lula é o único governante estrangeiro que faz Bush sentir-se à vontade, exatamente por saber-se que não entende uma palavra de inglês.
Os dois podem cometer solecismos às gargalhadas, já que um não percebe o que o outro diz. (Agradeço este sentido de “perceber” aos portugueses.) É aí que começa o entendimento. Sentem-se em casa um com o outro. (Depois chamam os tradutores de traidores. O futuro do Brasil está nas línguas deles.)
Ou então conversam em inglês e português, ambos os dois, diretamente. Bush percebe que seu português é semelhante ao de Lula, que, por sua vez, tem um inglês que rivaliza com o do colega. Bush encanta-se cada vez que Lula, gentilmente, diz: “Não tem pobrema”, e repete a frase, com admiração, achando que Lula quer dizer que eliminou a pobreza. “O teu português é igual ao meu, Jorjão!”. “I misunderestimated your Lulla-by English!”
O conceito e a etimologia de solecismo no Dicionário Eletrônico Houaiss são tão deliciosos que me permito copiá-los (a “gramática universal” de Chomsky é a transformação do solecismo em regra. O “Sofista” de Platão ainda é uma revelação.):
SOLECISMO
n substantivo masculino
1 Rubrica: gramática.
intromissão, na norma culta de uma língua, de construções sintáticas alheias à mesma, ger. por parte de pessoas que não dominam inteiramente suas regras (p.ex., os chamados erros de concordância, de regência, de colocação, a má construção de um período composto etc.)
2 Derivação: por extensão de sentido.
algo imperfeito, falho; erro, falta
- etimologia
gr. soloikismós,oû 'erro contra regras de linguagem, solecismo; p.ext., falta contra as regras de educação', do v. soloikízó 'faltar com as regras da linguagem, falar incorretamente', este de sóloikos,os,on 'que peca contra as regras da linguagem, que fala mal', do top. Sóloi,ón 'Soles', nome de uma antiga colônia de atenienses estabelecidos em Soles, na Cilícia (região da Ásia Menor), que se caracterizavam por um dialeto que os puristas consideravam malfalado; o voc. penetrou no port. pelo lat. soloecismus,i 'id.'; f.hist. 1540 soloecismo acp. de gram
O entendimento começa pela entropia lingüística chomskiana – o que antigamente se chamava ignorância, ou, mais cientificamente (pela antecipação do genoma), burrice.
(A qualidade mais admirável de Chomsky é a honestidade intelectual – ele jamais usaria a gramática preconizada por ele mesmo.)
Os idiomas que já foram de Camões e Shakespeare são perfeitamente estrangeiros para ambos – ambos os dois, para usar de uma precisão mais condizente com a ocasião social.
Afinal de contas, Camões era português, e Shakespeare, inglês.
A compreensão surgiu quando Lula explicou: “É preferível falar português que falar um mau inglês”, e Bush respondeu: “Eu também acho, mas o povo estranharia”. Perceberam que os intérpretes estavam traduzindo os sentimentos de um do outro.
Lula é o único governante estrangeiro que faz Bush sentir-se à vontade, exatamente por saber-se que não entende uma palavra de inglês.
Os dois podem cometer solecismos às gargalhadas, já que um não percebe o que o outro diz. (Agradeço este sentido de “perceber” aos portugueses.) É aí que começa o entendimento. Sentem-se em casa um com o outro. (Depois chamam os tradutores de traidores. O futuro do Brasil está nas línguas deles.)
Ou então conversam em inglês e português, ambos os dois, diretamente. Bush percebe que seu português é semelhante ao de Lula, que, por sua vez, tem um inglês que rivaliza com o do colega. Bush encanta-se cada vez que Lula, gentilmente, diz: “Não tem pobrema”, e repete a frase, com admiração, achando que Lula quer dizer que eliminou a pobreza. “O teu português é igual ao meu, Jorjão!”. “I misunderestimated your Lulla-by English!”
O conceito e a etimologia de solecismo no Dicionário Eletrônico Houaiss são tão deliciosos que me permito copiá-los (a “gramática universal” de Chomsky é a transformação do solecismo em regra. O “Sofista” de Platão ainda é uma revelação.):
SOLECISMO
n substantivo masculino
1 Rubrica: gramática.
intromissão, na norma culta de uma língua, de construções sintáticas alheias à mesma, ger. por parte de pessoas que não dominam inteiramente suas regras (p.ex., os chamados erros de concordância, de regência, de colocação, a má construção de um período composto etc.)
2 Derivação: por extensão de sentido.
algo imperfeito, falho; erro, falta
- etimologia
gr. soloikismós,oû 'erro contra regras de linguagem, solecismo; p.ext., falta contra as regras de educação', do v. soloikízó 'faltar com as regras da linguagem, falar incorretamente', este de sóloikos,os,on 'que peca contra as regras da linguagem, que fala mal', do top. Sóloi,ón 'Soles', nome de uma antiga colônia de atenienses estabelecidos em Soles, na Cilícia (região da Ásia Menor), que se caracterizavam por um dialeto que os puristas consideravam malfalado; o voc. penetrou no port. pelo lat. soloecismus,i 'id.'; f.hist. 1540 soloecismo acp. de gram
Thursday, October 20, 2005
HERZOG E DANIEL
Tivemos Vladimir Herzog, o CCC e Golbery.
Trinta anos depois, temos Celso Daniel, o PCC e José Dirceu.
Qual a diferença?
Trinta anos depois, temos Celso Daniel, o PCC e José Dirceu.
Qual a diferença?
Tuesday, October 18, 2005
A PIZZA DA VELHINHA
No dia do pronunciamento em que o Ministro da Fazenda mostrou os incisivos, os caninos, os molares e só faltou o siso (que eu não vi, pelo menos), meu departamento de comunicações muito relativas e assaz-um-tanto-quânticas começou a receber transmissões em ondas curtas, que pareciam vir do além, de uma senhora que se dizia idosa e abandonada pelo pai, que ela dizia ser mais moço do que ela (provavelmente coisas da idade; deve ser o filho), e dizia ser de Taubaté. E ela dizia que tinha mais coisas a dizer do que nunca. Que não é verdade o que diz um certo Omz (foi o que entendi), que a Scotland Yard não acerta nunca, que matou o último brasileiro inocente, em vez de preservá-lo para tentar a reprodução em cativeiro, ou, melhor ainda, a clonagem. Que, ao contrário, ela está encantada com a safra de inocentes de 2005, mais generosa que os melhores anos de Collor e Maluf. Que o Ministro da Fazenda, com aquela boca e aqueles olhos ingênuos, é a pura expressão da verdade. Em homenagem ao pai, que ela diz um grande astrônomo (não entendi bem, a comunicação estava ruim), pediu-me para dar a receita de uma pizza que entendi "Pallotti" (acredito que em homenagem a São Vicente Pallotti; deve ser uma senhora muito católica). A receita é muito simples, diz ela: a massa é a do Brasil, "a melhor do mundo" (ela deve ser do tempo do Conde Afonso Celso), coberta (ela diz "acobertada" - deve ser uma receita muito antiga) de lula e marmelada.
Monday, October 03, 2005
PERNAMBUCANOS
Millôr dizia que, ignorante por ignorante, preferia Severino.
Já eu - pernambucano por pernambucano, prefiro Roberto Freire.
Já eu - pernambucano por pernambucano, prefiro Roberto Freire.
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