Tuesday, October 18, 2005

A PIZZA DA VELHINHA

No dia do pronunciamento em que o Ministro da Fazenda mostrou os incisivos, os caninos, os molares e só faltou o siso (que eu não vi, pelo menos), meu departamento de comunicações muito relativas e assaz-um-tanto-quânticas começou a receber transmissões em ondas curtas, que pareciam vir do além, de uma senhora que se dizia idosa e abandonada pelo pai, que ela dizia ser mais moço do que ela (provavelmente coisas da idade; deve ser o filho), e dizia ser de Taubaté. E ela dizia que tinha mais coisas a dizer do que nunca. Que não é verdade o que diz um certo Omz (foi o que entendi), que a Scotland Yard não acerta nunca, que matou o último brasileiro inocente, em vez de preservá-lo para tentar a reprodução em cativeiro, ou, melhor ainda, a clonagem. Que, ao contrário, ela está encantada com a safra de inocentes de 2005, mais generosa que os melhores anos de Collor e Maluf. Que o Ministro da Fazenda, com aquela boca e aqueles olhos ingênuos, é a pura expressão da verdade. Em homenagem ao pai, que ela diz um grande astrônomo (não entendi bem, a comunicação estava ruim), pediu-me para dar a receita de uma pizza que entendi "Pallotti" (acredito que em homenagem a São Vicente Pallotti; deve ser uma senhora muito católica). A receita é muito simples, diz ela: a massa é a do Brasil, "a melhor do mundo" (ela deve ser do tempo do Conde Afonso Celso), coberta (ela diz "acobertada" - deve ser uma receita muito antiga) de lula e marmelada.

1 comment:

blogsurfer said...

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